O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, afirmou que o próximo ministro, seja quem for, terá "diversos desafios" para recolocar o setor em ordem. A informação consta de reportagem do Globo Rural. Segundo Campos, não existe solução única para os problemas do campo, e o governo não enxerga espaço para uma reforma ampla da política agrícola.
Dívidas, crédito e custos
De acordo com a reportagem do Globo Rural, a renegociação de dívidas rurais seguirá na pauta. A Medida Provisória 1.376/2026 alcançou R$ 19,8 bilhões na semana anterior à entrevista, de um total previsto de mais de R$ 100 bilhões. O acesso às linhas tradicionais de financiamento nos bancos e às Cédulas de Produto Rural (CPR) segue em queda.
"Não tem nenhuma bala de prata para retomar a confiança do mercado financeiro"
A declaração é de Guilherme Campos, citado pelo Globo Rural. Ele afirmou que restrições de crédito e custos elevados não têm uma saída isolada.
Ainda segundo a reportagem, o secretário considera difícil avançar em mudanças estruturais, como a adoção de um Plano Safra plurianual. A proposta é defendida pela bancada ruralista e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Para Campos, a viabilidade dependerá da disposição do novo ministro para uma mudança mais profunda.
Nova lei do seguro rural
A sanção da nova lei de seguro rural, de número 15.526/2026, é tratada por Campos como uma "imposição legal" que deve provocar mudanças no campo e em Brasília. Segundo o Globo Rural, os recursos do orçamento destinados ao seguro passarão a ser protegidos de cortes e contingenciamentos. O secretário afirmou que ainda não há clareza sobre como esses recursos serão aplicados, e que a pasta trabalha em ajustes pontuais na regulamentação para se preparar para 2027.
Campos voltou a defender a obrigatoriedade da contratação de seguro rural em operações de custeio com subvenção federal. Segundo a reportagem, a medida depende de disponibilidade orçamentária, de calibração das regras de acesso e da definição de uma alíquota padrão.
Os números citados pelo Globo Rural ajudam a dimensionar o desafio. Estão previstos R$ 1,2 bilhão para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2027, enquanto os saldos das linhas equalizadas do Plano Safra 2026/27 para custeio e comercialização somam mais de R$ 78,2 bilhões. A apólice custa cerca de 8%, e o governo subsidia, em média, 30% desse valor. Nessa conta, a verba do PSR seria insuficiente.
A pasta também defende o seguro paramétrico, baseado em índices, ao menos para culturas com dados históricos consolidados, como soja e milho.
Proposta da FGV Agro
O Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), deve apresentar na semana seguinte uma proposta de modernização da política agrícola brasileira. Segundo o Globo Rural, o trabalho, elaborado nos últimos anos, trata da integração entre financiamento rural, seguro, resseguro, gestão de riscos e proteção da renda do produtor, com foco em maior previsibilidade e eficiência no uso dos recursos públicos.