Janelas de vários andares da sede corporativa da petrolífera saudita Aramco foram estilhaçadas neste domingo, 8 de novembro, no centro do distrito financeiro de Riad. O Ministério da Energia descreveu o episódio como uma tentativa de ataque ao prédio. Os houthis, grupo iemenita aliado do Irã, reivindicaram a ação.

Segundo o ministério, os danos à Torre Aramco foram limitados e não houve feridos nem mortos. A pasta não atribuiu responsabilidade pelo ataque.

Defesas aéreas interceptam mísseis

A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que combate os houthis no Iêmen, informou que as defesas aéreas do país interceptaram mísseis lançados contra a capital nas primeiras horas da madrugada. Na Província Oriental, onde está a maior parte das reservas de petróleo e gás do reino, outro míssil houthi também foi interceptado no domingo.

A coalizão afirmou ainda ter destruído dois lançadores de mísseis balísticos em Saada, usados, segundo ela, no ataque a Riad. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que o aeroporto internacional de Riad foi alvo dos ataques de domingo, mas as autoridades sauditas não confirmaram essa informação.

Escalada desde setembro

Os houthis vêm intensificando os ataques às instalações da Aramco nas últimas semanas, incluindo a sede da empresa em Dhahran, na Província Oriental. Desde que o grupo avançou, em setembro, em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, os ataques com mísseis e drones contra portos e aeroportos sauditas aumentaram.

Um ataque ao aeroporto de Riad em outubro deixou 13 mortos e mais de 300 feridos. Em resposta, a Arábia Saudita vem realizando bombardeios contra alvos houthis no Iêmen.

Um dia antes do ataque em Riad, o Ministério da Saúde do Iêmen, controlado pelos houthis, afirmou que bombardeios sauditas mataram pelo menos 33 pessoas perto de Sanaa. As autoridades sauditas disseram estar investigando o caso.

Vida na capital e busca por diálogo

Muitas escolas do reino voltaram às aulas presenciais no domingo, depois de semanas de ensino a distância. Várias agências governamentais também retomaram o trabalho presencial, suspenso após ataques anteriores dos houthis.

A Arábia Saudita pediu apoio, defensivo e ofensivo, a países que vão dos Estados Unidos à Europa e ao Oriente Médio. O reino, aliado dos EUA, também busca a via diplomática: autoridades seniores de Riad, Ancara e Islamabad, países do Pacto de Defesa de Meca, se reuniram com representantes iranianos em Teerã no mês passado.

Teerã afirmou depois que as negociações com Riad continuam, com o objetivo de firmar novos acordos de segurança regional que excluam a participação militar estrangeira. O conflito é mais uma frente da guerra mais ampla envolvendo EUA, Israel e Irã.