O empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti, conhecido como Miguel Vázquez, é apontado como um dos principais responsáveis pelo escândalo financeiro e político que atinge o Paraguai. A crise levou à renúncia do presidente Santiago Peña e à troca do presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo.
Quem é o fundador do Ueno Bank
Aos 36 anos, Vázquez é fundador da fintech digital Ueno Bank e acionista majoritário do Grupo Vazquez, que ele preside. Formado pela Incae Business School, ele também participou de programas internacionais em instituições como Harvard.
Antes da crise, Vázquez detinha 75,94% do capital do grupo, que reúne 26 empresas de setores que vão da tecnologia à agropecuária. O banco digital é a principal aposta do conglomerado: em três anos, acumulou mais de US$ 2,8 bilhões em depósitos e tem cerca de 3 milhões de clientes.
Empréstimos irregulares e operação fragmentada
Segundo investigações citadas por jornais paraguaios, o Ueno Bank concedeu mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares, em especial a empresas ligadas ao próprio Grupo Vazquez. As normas do sistema bancário paraguaio proíbem que uma instituição financie a compra de ativos por empresa a ela vinculada.
De acordo com os mesmos jornais, a operação foi estruturada de forma fragmentada para dificultar a fiscalização. Uma das manobras foi a apresentação de um contrato de compra à vista, em que o pagamento aparecia como feito com recursos da própria empresa compradora.
Ainda segundo essas reportagens, o grupo omitiu que US$ 74,4 milhões usados na transação vinham de empréstimos concedidos pelo próprio banco às empresas intermediárias. Ao refazer o caminho dos recursos entre contas bancárias, a investigação revelou um financiamento indireto pelo Ueno Bank.
Intervenção do Banco Central e renúncia de Peña
Após ajustes em seus balanços durante um processo de fiscalização, a solvência do banco caiu para menos da metade do mínimo regulatório, segundo o Banco Central do Paraguai. Em 2 de novembro, a autarquia abriu um procedimento de resolução bancária para organizar a destinação de ativos e passivos da instituição.
O banco concentra quase metade das contas bancárias do país e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, entre eles investimentos do Instituto de Previdência Social (IPS). A pressão social por medidas do governo levou à renúncia de Peña e a mudanças no Banco Central.
Carvallo, que comandava a autarquia, teve a saída solicitada diretamente por Peña. Ele havia presidido a antiga Financiera Ueno até 2023. Parlamentares da oposição passaram a questionar a supervisão do banco durante sua gestão e a relação do presidente com o Grupo Vázquez, do qual Peña foi sócio até 2025.
Na quarta-feira (4), antes da renúncia, Peña promulgou uma lei que permitiria aos poupadores do banco receber, no menor prazo possível, parte dos fundos retidos como garantia.
Para destituir formalmente o presidente, são necessários dois terços dos votos da câmara alta do Congresso paraguaio.