A China afirmou nesta quinta-feira (5) que está disposta a ampliar a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos, desde que os dois países coloquem em prática o acordo de redução recíproca de tarifas negociado em setembro. A posição, transmitida pela porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Huang Ling, indica que o avanço das compras segue atrelado às negociações comerciais entre Pequim e Washington.
Acordo prevê cerca de US$ 60 bilhões em comércio
Segundo a Reuters, Huang Ling disse que o país mantém interesse em comprar mais produtos agropecuários americanos, mas considera necessária a implementação do mecanismo chamado "30 por 30", que prevê tratamento tarifário mais favorável para mercadorias trocadas entre as duas economias. O acordo foi proposto após o encontro entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, em Washington, em setembro.
O mecanismo abrange aproximadamente US$ 60 bilhões em comércio bilateral, distribuídos em listas de produtos de cada país que poderão ter redução de tarifas. A aplicação definitiva das medidas ainda está pendente.
A representante chinesa também defendeu que os Estados Unidos reduzam tarifas e barreiras não tarifárias e ampliem o acesso de produtos chineses ao mercado americano. Pela fala, Pequim vincula a expansão das compras agrícolas a condições mais favoráveis para os dois lados.
Compromisso de US$ 17 bilhões por ano está atrasado
Em maio, a Casa Branca anunciou que a China assumiu o compromisso de comprar US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas americanos a partir de 2026, com meta proporcional no primeiro ano. Essas aquisições seriam adicionais aos compromissos já existentes com a soja.
Na prática, os embarques ainda não acompanham essa meta. De acordo com levantamento da Reuters, a China importou US$ 7,2 bilhões em produtos agrícolas americanos, excluindo a soja, entre janeiro e setembro de 2026. Carnes e milho estão entre os itens com embarques abaixo do ritmo necessário para cumprir o compromisso. O volume do período é o menor para os primeiros nove meses do ano desde 2019, durante a primeira guerra comercial entre Estados Unidos e China.
Também não está definido o prazo de contagem dos US$ 17 bilhões. O governo americano não esclareceu se o período começou com o anúncio de maio ou só passará a valer após a implementação das reduções tarifárias propostas pela China.
Soja avança, e listas tarifárias seguem em negociação
No mercado de soja, a situação é diferente: as compras chinesas caminham em direção à meta estabelecida anteriormente. Ainda assim, o setor acompanha a competitividade do grão americano, sobretudo por causa das tarifas que incidem sobre a oleaginosa e da concorrência de outros fornecedores internacionais.
Em setembro, os dois países apresentaram listas de mercadorias que poderiam receber tratamento tarifário mais favorável. No caso das importações chinesas, a relação inclui milho, trigo, sorgo, carnes, lácteos, óleos vegetais e farelos. A soja em grão ficou de fora da proposta.
Operadores de mercado citados pela Reuters avaliam que a manutenção de barreiras comerciais trava a ampliação das compras em escala comercial, e que reduções tarifárias serão necessárias para viabilizar operações de maior volume.
Estados Unidos e China criaram um grupo de trabalho dedicado ao comércio agrícola, com expectativa de nova reunião antes do fim de 2026. Até lá, o mercado internacional de grãos e proteínas animais deve seguir acompanhando o ritmo das importações chinesas e a implementação dos compromissos bilaterais.