Cotidiano
Envelhecimento saudável exige cuidados contínuos e atenção à autonomia
Envelhecer com saúde vai muito além de tratar doenças. Alimentação equilibrada, atividade física, vacinação, sono adequado, acompanhamento regular e manutenção dos vínculos sociais são alguns dos cuidados que contribuem para preservar a autonomia e a qualidade de vida ao longo dos anos. Nesta quinta-feira, 1º de outubro, celebra-se o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, e a Secretaria Municipal de Saúde volta sua atenção para a importância de cuidar da saúde antes mesmo da chegada à terceira idade.
O geriatra Lucas Miranda Amgarten, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS) municipal, destaca que o envelhecimento saudável começa muito antes dos 60 anos e está relacionado aos hábitos construídos ao longo da vida. “Alimentação equilibrada, prática regular de exercício físico, evitar fumar, consumo de outras drogas e do álcool também. Dormir bem, manter a vacinação em dia, manter o acompanhamento médico regular”, orienta.
Para o especialista, envelhecer de forma saudável não significa necessariamente chegar à velhice sem nenhuma doença. O mais importante é manter as condições de saúde controladas para que elas não comprometam a rotina. “Envelhecer de maneira saudável não é só não ter doenças. Na realidade, muitas vezes vamos desenvolver doenças, mas que pelo menos estejamos com elas controladas e que essas doenças não acabem sendo um empecilho para exercermos nossas tarefas do dia a dia, manter nossa capacidade funcional, independência e autonomia o maior tempo possível ao longo da nossa vida.”
Movimento e alimentação
A alimentação adequada e a atividade física estão entre os principais pilares do envelhecimento saudável. Além de contribuírem para o controle do peso e de doenças crônicas, ajudam na manutenção da massa muscular e óssea. “Eu costumo brincar com os pacientes que, para envelhecermos bem, precisamos fazer uma reserva de muitas coisas. Uma delas é a reserva de músculo. E, para construir essa reserva, o jeito é se exercitar”, explica o geriatra..
Mais do que buscar desempenho esportivo, a atividade física deve contribuir para que a pessoa mantenha sua independência nas atividades cotidianas. “Eu quero que esse idoso, ele envelheça carregando a sacola do supermercado sozinho, que ele permaneça conseguindo subir um lance de escada, que ele permaneça dirigindo o carro dele sozinho, que ele permaneça podendo viajar, indo ao banco, resolvendo os problemas dele sem depender de outras pessoas.”
Nem tudo é “normal da idade”
Alterações que comprometem a rotina e a autonomia não devem ser simplesmente atribuídas ao envelhecimento. Esquecimentos frequentes que começam a atrapalhar o uso de medicamentos ou o controle das próprias finanças, perda de peso sem explicação, cansaço intenso, dificuldades para caminhar e quedas recorrentes são sinais que precisam ser investigados. “Então, tudo que comece a trazer um certo impacto funcional, que passe a interferir na rotina, na autonomia e na qualidade de vida, tem que investigar”, alerta.
O acompanhamento de saúde também deve ser individualizado. Para o geriatra, não existe uma idade única para começar o acompanhamento especializado nem uma lista de exames que sirva para todas as pessoas. A avaliação deve considerar histórico, hábitos, doenças existentes e capacidade funcional.
Saúde mental e convivência
Manter vínculos sociais também faz parte do cuidado com a saúde. Família, amigos, hobbies, atividades sociais e o aprendizado de coisas novas podem contribuir para o bem-estar e para a saúde mental. “Então, nós precisamos ter um objetivo de vida para continuar vendo significado na nossa vida. E isso faz parte do cuidado com a saúde mental”, destaca.
O isolamento e a perda de interesse por atividades que antes davam prazer também merecem atenção. Mudanças como ficar mais quieto, deixar de participar de encontros familiares ou perder o interesse pela alimentação podem indicar que algo não está bem e merece ser acompanhado.
Família deve oferecer segurança, sem tirar a autonomia
O geriatra destaca ainda que o papel da família é oferecer apoio quando necessário, mas sem transformar o cuidado em excesso de proteção. Cada pessoa envelhece de uma maneira e deve continuar participando das atividades que consegue realizar com segurança. “O objetivo do cuidado deve ser proporcionar uma segurança, sem transformar essa segurança em uma perda de autonomia”, afirma.
Ele reforça que tarefas simples também podem contribuir para manter a independência, como organizar as próprias coisas, ajudar no preparo das refeições, ir à padaria ou aprender a utilizar novas tecnologias. “A melhor assistência é aquela que vai ajudar o idoso a continuar sendo o protagonista da vida dele o maior tempo possível”, conclui.
Fonte: Prefeitura de Palmas

