O telescópio Swift, da NASA, encerrou suas operações na quarta-feira (4) após 22 anos de estudos do espaço. O observatório fez uma reentrada descontrolada na atmosfera terrestre, três meses depois de uma tentativa frustrada de mantê-lo em atividade por mais tempo.
Queda sobre Sumatra
De acordo com Jonathan McDowell, rastreador de satélites, o observatório, que pesava cerca de 1,4 tonelada, entrou na atmosfera sobre a região de Sumatra. Segundo o pesquisador, oficiais da NASA previram que o satélite deveria se desintegrar durante a passagem pela atmosfera, com chances extremamente baixas de qualquer fragmento sobreviver e atingir o solo.
Publicações nas redes sociais afirmam que observadores registraram a queda. Um vídeo publicado no X, antigo Twitter, por um usuário identificado como "Surajit" mostra um rastro luminoso no céu que, segundo a publicação, foi deixado pelo observatório.
Mais de duas décadas de observações
O Swift foi lançado em 2004. Na época, a previsão era que a missão durasse apenas dois anos e se concentrasse nas explosões de raios gama (GRBs), os eventos mais energéticos e violentos do universo. O nome completo do equipamento, Swift Gamma-Ray Burst Explorer, faz referência à agilidade da espaçonave: "swift" significa "veloz", em inglês.
Em sua operação, o observatório precisava detectar e localizar essas explosões, comunicar a posição a outros observatórios e reposicionar seus telescópios para fotografar os locais antes que os resquícios se dissipassem. Segundo S. Bradley Cenko, pesquisador principal (PI) do Swift na NASA, a manobra normalmente levava "cerca de um minuto".
Ao longo da vida útil, que ultrapassou em muito o período previsto, o Swift registrou mais de 2.000 GRBs e 1.400 supernovas. Também monitorou buracos negros ativos, cometas e asteroides.
Missão de resgate não chegou ao telescópio
O Swift vinha perdendo altitude na atmosfera de forma acelerada. Sem uma intervenção, o telescópio acabaria queimado na reentrada. A solução apontada pela NASA foi a sonda robótica LINK, um dispositivo compacto com três braços mecânicos, projetado para se acoplar ao observatório e impulsioná-lo a uma órbita mais alta e segura.
A missão foi enviada ao espaço em julho, mas a nave apresentou falhas e não conseguiu se aproximar do telescópio. Mesmo assim, a NASA destacou a importância da tentativa, que pode orientar o desenvolvimento de outros veículos voltados à manutenção e à extensão da vida útil de satélites.
A reportagem de referência foi publicada pelo Canaltech.