Morreu na madrugada deste sábado (31), aos 87 anos, o músico e produtor Solano Ribeiro, idealizador e produtor de alguns dos festivais mais importantes realizados no Brasil entre 1965 e 1972. Pela atuação nos bastidores, ele é apontado como uma das peças centrais na projeção da música rotulada como MPB nos anos 1960.

Festivais levaram a MPB ao grande público

Os festivais que Solano concebeu ou produziu foram exibidos por emissoras de TV como Excelsior, Globo e Record, o que deu alcance nacional a boa parte da geração que se consolidou naquele período. Com exceção de Maria Bethânia, lançada no show "Opinião", em 1965, quase todos os nomes de destaque da época ganharam visibilidade nos palcos dos festivais.

O primeiro deles foi o I Festival de Música Popular Brasileira, de 1965, produzido pela TV Excelsior por iniciativa de Solano. A cantora Elis Regina venceu a competição. Outros artistas que ganharam projeção nos festivais foram Chico Buarque, revelado em 1966, Caetano Veloso e Gilberto Gil, ligados ao movimento tropicalista lançado em 1967, Milton Nascimento, revelado no primeiro Festival Internacional da Canção (FIC), também em 1967, e Gal Costa, com destaque em 1968, além de Edu Lobo.

Trajetória começou na adolescência

Paulistano nascido em 1939, Solano se interessou pela música ainda na adolescência, depois de ganhar um violão de uma tia. Em 1957, passou a integrar o grupo juvenil The Avallons, um dos primeiros conjuntos de rock de São Paulo.

Já atuando na televisão nos anos 1960, ele propôs a criação dos festivais brasileiros, inspirados no Festival de San Remo, realizado na Itália. Os eventos foram produzidos entre São Paulo e Rio de Janeiro, à época os principais centros culturais do país, e acompanharam a expansão da TV como meio de massa.

Papel de produtor

Solano não se apresentava como descobridor daquela geração, mas como responsável por criar condições para que ela aparecesse. Em 2003, ao publicar o livro de memórias "Prepare seu coração – Histórias da MPB", ele resumiu sua função na introdução da obra.

"O papel de produtor para o qual eu me elegi foi mais o de um arquiteto e construtor de momentos emocionais, colocando artistas perante o público certo no momento certo."

Para a trajetória da MPB, os festivais de Solano foram decisivos para que o movimento ganhasse força e fosse reconhecido de forma rápida no cenário nacional.