O BNDES ampliou os mecanismos de financiamento para projetos ferroviários no Brasil, com prazo de até 40 anos e aumento do limite anual de crédito por grupo econômico para fabricação e aquisição de trens, vagões e locomotivas, de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão. Segundo o superintendente de Infraestrutura do banco, Felipe Borim, os principais projetos ferroviários em estruturação somam cerca de R$ 160 bilhões em investimentos previstos.

Financiamento é o principal gargalo

Para Borim, o maior desafio é financiar os investimentos iniciais, feitos antes que a operação das ferrovias comece a gerar receita. Ele afirmou que uma ferrovia nova exige anos de aportes pesados sem retorno imediato.

"O desafio é fechar a parte financeira desses projetos"

A declaração foi dada pelo superintendente em entrevista à imprensa especializada. Ele disse que os projetos já estão estruturados e que a questão central é a viabilidade financeira.

Borim também afirmou que grandes ferrovias raramente são construídas apenas com capital privado. Por isso, costumam depender de participação pública, por meio de aportes ou subsídios do governo.

Os investimentos anuais no setor ferroviário praticamente dobraram nos últimos anos e estão na casa de R$ 15 bilhões. Ainda assim, segundo Borim, o volume é inferior ao observado em rodovias e insuficiente para a expansão da malha ferroviária.

Projetos estratégicos em estruturação

Entre os empreendimentos citados estão a EF-118, que prevê integrar a malha entre Espírito Santo e Rio de Janeiro; o Corredor Minas-Rio, voltado ao transporte mineral; e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que conecta a produção do Centro-Oeste à rede nacional.

A lista inclui ainda a revitalização da Malha Oeste, a requalificação da Malha Sul com foco em ligações com portos do Sul, a Ferrogrão (EF-170), entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), e trechos da Transnordestina, com obras entre Paes Landim (PI) e Iguatu (CE) e a retomada do ramal Salgueiro–Suape (PE). Os projetos estão em diferentes etapas de estruturação e implantação.

Segundo Borim, a viabilidade depende da combinação entre um modelo econômico-financeiro sólido, financiamento de longo prazo e segurança para os investidores.

Fundo Clima e mobilidade urbana

A mudança no limite de crédito para material rodante ocorre após a inclusão desses equipamentos nas linhas do Fundo Clima, no início de 2026. Segundo o executivo, a medida atende a uma demanda do setor e pode beneficiar a indústria nacional e contribuir para a descarbonização do transporte.

O banco também financia projetos de mobilidade urbana sobre trilhos e a eletrificação de frotas. Entre os exemplos citados por Borim estão o Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas, e a Linha 2 do Metrô de São Paulo. Ele afirmou que o BNDES financiou 1.300 ônibus elétricos na capital paulista e participou de projeto para eletrificar 100% da frota de São José dos Campos.

Borim citou ainda o Estudo Nacional de Mobilidade, que reúne uma carteira de 168 projetos estruturantes de transporte urbano em 21 regiões metropolitanas. "Torcemos para que vire um novo ciclo [de investimentos]", disse.