A Binance informou neste sábado (31) que já recompôs cerca de 90% dos US$ 6,3 bilhões em criptoativos levados por hackers esta semana. A corretora mantém a previsão de começar a retomar os saques no domingo (1º), de forma gradual.

A empresa afirma que vai arcar sozinha com o prejuízo financeiro do roubo, sem transferir perdas aos seus usuários. No comunicado, a Binance resumiu o compromisso em uma frase:

"A Binance vai absorver o impacto financeiro dos fundos roubados, não os usuários."

Na atualização anterior, a corretora dizia ter recomposto cerca de 80% do valor afetado.

Como a reposição está sendo feita

Segundo a Binance, a substituição dos ativos combina recursos do caixa da própria companhia, fundos emergenciais e reservas de seguro. Foram usados recursos do tesouro corporativo, uma parcela do fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users), criado para proteger clientes em situações extremas, e parte do fundo de seguro de futuros.

A companhia já havia separado mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir as perdas. Já estão totalmente recompostos Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), BNB, Solana (SOL), XRP e as stablecoins USDT e USDC.

Os 10% restantes são formados principalmente por tokens de menor liquidez, que têm menos volume para negociação. Por isso, a Binance diz que seguirá comprando esses ativos no mercado, em operações de balcão (OTC) e com parceiros do setor. A companhia não definiu prazo para concluir a reposição integral.

A corretora ressalta que essa operação não equivale a recuperar os recursos dos hackers. Na prática, a Binance repõe em suas reservas ativos equivalentes aos roubados.

Saques e prova de reservas

Os saques foram suspensos após o ataque enquanto a empresa faz verificações adicionais de segurança nos sistemas afetados. A Binance afirmou que segue no cronograma anunciado e pretende restabelecer as retiradas no domingo, conforme as checagens forem concluídas.

No Brasil, a companhia havia dito na sexta-feira (30) que os ativos dos clientes estavam seguros e que a suspensão era preventiva. O comunicado global deste sábado não trouxe um cronograma separado para a operação brasileira.

A Binance também atualizou sua prova de reservas (Proof of Reserves, PoR), mecanismo que permite aos usuários checar se os ativos da corretora cobrem os saldos registrados. Segundo a empresa, os dez principais tokens afetados estão respaldados na proporção mínima de 1 para 1. A prova criptográfica completa exige entre 40 e 50 horas de processamento e deve ficar disponível até terça-feira (3).

Ataque e investigação

Os hackers retiraram cerca de US$ 6,3 bilhões da Binance na quinta-feira (29), em um ataque que especialistas consideram o maior roubo de criptomoedas já registrado. A maior parte dos recursos saiu em cerca de 20 minutos.

Empresas de análise de blockchain como TRM Labs e Chainalysis atribuíram a ação a um grupo ligado à Coreia do Norte, conhecido como TraderTraitor. A Binance não confirmou a autoria. Segundo a Reuters, o co-CEO da companhia, Richard Teng, afirmou que a invasão foi complexa: a investigação inicial apontou o comprometimento do notebook de um funcionário, mas outros pontos de violação foram encontrados depois.

O caso também pesou sobre o mercado. Após a divulgação do ataque, o Bitcoin chegou a US$ 76.368, menor cotação em seis semanas, antes de recuperar parte das perdas.

Mesmo diante da magnitude do roubo, a Binance reiterou que pretende assumir as perdas e manter os saldos dos clientes integralmente respaldados.